Se você tem uma mensagem para compartilhar e não tem feito isso, você está roubando

Quando Marcela tinha 5 anos, roubou do supermercado um suco de laranja de caixinha.  Ela tinha pedido um milhão de vezes para a mãe e já que a autoridade da situação tinha dito “sem chance” um milhão de vezes, a pequena Marcela resolveu tomar uma providência. 

Mais tarde naquele mesmo dia, a dona Zefa, sua mãe, a fez voltar no mesmo supermercado e, com sua própria boca, chegar até o funcionário do caixa, pedir sua atenção, dizer o quanto lamentava ter roubado o suco de caixinha e (com o dinheiro que a mãe dera),  pagar pelo produto. 

“Desculpe, roubei isso” disse a pequena. A caixa resmungou algo, e logo voltou para sua revista de resumos dos capítulos de novela. 

Marcela (cujo nome estou mudando pra te contar essa história a fim de preservar seu anonimato), considera essa situação uma das mais marcantes de sua vida, e mesmo com a vergonha, entendeu o que a mãe estava buscando fixar em sua mente: NÃO PODEMOS ROUBAR. É ERRADO. As consequências são terríveis então melhor jamais fazê-lo. 

Você já roubou algo na sua vida? Se assim como Marcela, foi quando você era criança, então… Tudo bem, isso é totalmente perdoável.

Porém, há algo que você vai odiar saber: eu tenho quase certeza de que você está roubando agora! 

Se você tem uma mensagem que pode edificar a vida das pessoas, ajudá-las a seguir em frente, a entrar em ação, a acreditar em seus sonhos, seja o que for… 

Se você é uma criança, até passa... Mas na vida adulta, é preciso fazer o que é certo!

Ou mesmo se você tem uma excelente ideia para contribuir na empresa e lhe falta a coragem de compartilhar sua voz e se expressar, então é sua responsabilidade fazê-lo do jeito mais sincero e eficiente possível. Porque se você não faz isso, está roubando a mensagem dessas pessoas que precisam tanto ouvir e conhecer o que você tem a dizer e revelar. 

E talvez você está aí pensando com seus botões: Falar, compartilhar, puxa, eu bem que queria, mas… E a vergonha? 

Frequentemente as pessoas me perguntam como podem perder o medo de falar diante das pessoas.

Deixe-me começar dizendo, eu nunca me chamei de especialista em falar em público. Porém já ouvi pessoas importantes em nosso país me considerando algo parecido com isso, como André Valadão e Raul Gil, mas hoje quero contar algo que poucos sabem. 

Dei um fora que me foi muito valioso recentemente e este me encorajou então posso te contar aqui?  

Bem, o seguinte: fui chamada para apresentar um evento e, na hora de dar a palavra no palco a primeira dama da cidade de São Paulo e acabei chamando a primeira dama do Estado de São Paulo! Acreditei que era uma, e na verdade a pessoa que estava ali, era outra! 

Senti uma super vergonha, mas eu vou lhe contar que, alguns dias depois do “limão” que virou uma limonada, uma mulher presente naquela plateia perguntou a uma amiga sobre a apresentadora (soy yo) nesses termos “aquela moça que apresentava o evento… Ela ensina a falar em público? Porque eu quero aprender, mas eu quero falar como ela…”

Algo muito necessário, fundamental para falar melhor é: Fale com o coração e acredite que você tem uma mensagem importante a compartilhar. Eu era tão tímida que só de ouvir meu nome, até os 13 anos de idade, eu sentia minha mão suar, a bochecha vermelha, ficava mesmo tensa, morrendo de vergonha. Eu estou falando da chamada na escola! 

Em minha vida adulta, no meu primeiro programa de rádio, eu travei. Não saía uma palavra. Eu morri de vergonha e os sonoplastas da Rádio Musical, há anos atrás… eita, faz décadas… Eles riram de mim. Do meu nervoso. Eu não soube o que dizer e já que eu tava muda… Eles colocaram música no lugar da minha fala.

Então o que aconteceu que tudo mudou? Bem, posso dizer que aprendi algumas técnicas, e quero muito dividir com vocês, porque eu ainda fico nervosa sim! rsrs… 

Mas sobre ainda, esse fora do ano, posso dizer algo que me fez virar o jogo: eu deixei meu coração falar por mim.

Pensei lá detrás das cortinas… O que eu posso aprender com isso. Na volta o pessoal da organização, gentilmente me disse “ganha tempo aí porque a próxima a falar ainda não está pronta”.  

Mirei em meu coração, pedi para Deus me mostrar e trouxe através do meu erro uma reflexão que resultou até em aplausos da platéia…  Legal, né? 

Então uma dica preciosa é: fale de coisas que você acredita, fale com sentimento e verdadeiramente sabendo que sai de seu coração é um presente de Deus que você tem o privilégio de compartilhar com o mundo. 

Um dos segredos é falar com o coração, mas não vou ser hipócrita e dizer que é só isso. 

Se deseja aperfeiçoar sua maneira de falar o que sente arder em seu coração, coloque em prática estas 3 dicas que compartilho aqui neste post.

Dica 1: Saiba com quem está falando

Saber com que tipo de pessoa você está se comunicando é fundamental para uma mensagem entregue da maneira correta. Por isso, reflita por alguns instantes, sobre aquelas pessoas que estarão lhe assistindo ou ouvindo.
Essa pergunta faz uma imensa diferença. Falar com uma turma de adolescentes é totalmente diferente de falar com uma platéia de pessoas aficcionados em jogos eletrônicos. Esse público tende a ser sério e até hostil ou amistoso e receptivo? 

O assunto do qual você deseja falar, já os interessa ou eles terão que ser convencidos de que ouvir você vai trazer a eles algo importante? precisam te ouvir por alguns instantes? Tudo isso deve servir de base para a sua abordagem. Um público receptivo exigirá mais captadores de atenção, já com pessoas interessadas no que você está compartilhando que tenham uma postura receptiva te dão segurança para partir logo na direção de seu tema principal, sem demandar tempo excessivo nos argumentos que despertem curiosidade (porque já estão curiosos). Percebe como seu público tem tudo a ver com o que você está comunicando? Não acredite se alguém chegar com uma receita pronta de bolo, porque diferentes tipos de público demandam diferentes abordagens.

Dica 2: Saiba do que você está falando

Do que você está falando? 

O que deseja que as pessoas que te ouvem saibam? Isso quer dizer definir o que você deseja comunicar. Você quer entreter? Informar, convencer de uma nova atitude, uma mudança? Vender um produto? Inspirar uma idéia? 

Na maioria das vezes, o contexto determinará isso para você, porque se você vai motivar jovens que estão concluindo um curso, seu foco é em usar palavras que irão inspirar. Não é hora de usar palavras frias sobre a crise econômica mundial. 

Por outro lado, se você está fazendo uma participação que buscará revelar que é possível se reconstruir e superar um trauma (e por acaso, você é prova disso portanto irá compartilhar sua experiência pessoal), então pode fazer uso de expressões que se referem ao seu mundo em particular. 

Isso significa compartilhar na sua fala palavras que revelem essa pessoalidade, talvez momentos de sua infância, situações marcantes – e tudo bem se a emoção vier e uma lágrima aparecer no cantinho dos olhos… Porque isso ajudará sua mensagem a fluir e alcançar as emoções de sua platéia (lembre-se que não é nunca bom fingir e sua audiência não é idiota. O público tem facilidade em sentir quando o discurso comovente é forçado, ensaiado ou fingido. 

Se você foi convidado para dar uma participação ou um evento e não tem certeza de qual deve ser o propósito, pergunte! Você não pode começar a preparar uma mensagem, uma fala, um discurso ou qualquer expressão de sua voz em público, mesmo que esse público sejam 2 pessoas apenas,  se não tiver clareza do que, afinal de contas, você deseja compartilhar.  

Dica 3: Comece bem e termine bem!

Uma dica especial que posso compartilhar é: Planeje sua abertura, ensaie-a em sua mente, em voz alta, na frente de um espelho. Defina o tom, crie expectativas, desperte a curiosidade de quem lhe acompanha, trazendo elementos que irão reforçar a ideia principal mas sem revelar conclusões. De mesmo modo, faça de seu encerramento uma maneira de marcar a audiência com a sua fala. Não se permita deixar esses dois elementos ao acaso. 

Se, por qualquer motivo, seu tempo de fala for reduzido o comprimento da sua fala for reduzido por causa de mudanças na programação, de jeito nenhum diga “vou terminar porque meu tempo está chegando ao fim”, estão me dizendo aqui para concluir logo…” – nunca faça isso! O fato de ter uma frase ou um jeito já pré determinado de encerrar sua palestra de forma eficaz vai lhe dar segurança de que, precisando, você saberá o que dizer.

Pense sobre os livros que você mais gostou de ler. Recorde-se que aqueles que mais lhe impactaram não apenas foram instrumento de um conteúdo fantástico, como também um encerramento marcante fez parte do quanto esse livro se tornou especial para você. 

Portanto, da mesma maneira que o começo é importante, o encerramento de sua fala também precisa ser impactante. Planeje terminar seu discurso de forma que o público se lembre da mensagem principal muito depois de o discurso terminar.

Idéias simples, mas que com criatividade podem tornar sua fala memorável e o melhor, em formatos facilmente aplicáveis e fáceis de lembrar (sem chances para o “branco” dar as caras) para o seu grand finale

a. Procure uma frase de alguém famoso que vc admira (basta citar, vc não tem que explicar, porque explicar faz perder a graça, podendo ainda dar a impressão de que você não confia em seu público). 

b. Compartilhe um exemplo, um caso, uma história real ou imaginária que reforce sua mensagem.

c. Faça um resumo (enxuto, atente-se a isso, é horrível aquele tipo de resumo que é a mensagem toda de novo) das ideias principais que você acabou de trazer.

Lembre-se de aproveitar o final, porque é a sua chance de lhes declarar: “Eis o que eu disse …”, “Aqui está o que vocês irão se lembrar de minha participação…”.

Em todos os casos, busque deixar um convite a alguma ação, isto é, lembre-se de dizer o que eles devem fazer (mesmo que for para apenas te seguir nas redes sociais e compartilhar o que achou da sua palestra). 

Uma arte que você pode aprender

Da próxima vez, quando uma oportunidade de falar em público se apresentar, agarre-a. 

Espero que tenha gostado das dicas. Se quiser saber mais sobre isso e receber conteúdo em seu email,  cadastre-se na Newsletter para receber dicas exclusivas em sua caixa de entrada. 

Falar em público também é para você!